19/10/2017

"Histérica" e "forte": visões sobre as mulheres negras

Angela Davis. Imagem: Reprodução. 

     A visão racista em torno das mulheres negras é que as mesmas gritam ao invés de falar e que são capazes de suportar situações extremamente difíceis, situações que uma outra pessoa talvez não suportaria. O fato é que as mulheres negras passam por inúmeras situações difíceis em seu cotidiano e, para não serem injustiçadas (já que o racismo é latente), reivindicam seus direitos a todo instante. Este fato é enxergado pela ótica branca como "histeria" e "mimimi". 
     As mulheres negras são vistas como pessoas que estão a gritar a todo instante, é como se não soubessem falar de outra maneira. Os filmes, norte-americanos e até brasileiros, reproduzem tais estereótipos. Em tais obras cinematográficas, as mulheres negras estão sempre falando alto e exagerando nas gesticulações e expressões faciais. Por outro lado, a mulher branca é sempre doce, gentil, contida e educada. Tais estereótipos se mostram de forma latente quando há um diálogo entre a mulher negra e a branca. Além disso, as mulheres negras são na maioria das vezes vistas como "guerreiras", "batalhadoras" e que "correm atrás". Tais concepções colocam a mulher como um ser mais bruto que a mulher branca, o que não é verdade. 

Whoopi Goldberg ao lado de Patrick Swayze (1952-2009) em cena de Ghost: do outro lado da vida (1990). Neste filme, o personagem do branco Patrick é sempre contido e educado, ao passo que o de Whoopi é o de uma mulher expansiva e que fala o que pensa. Imagem: Reprodução. 

     A mulher negra, assim como a mulher branca, é capaz de amar e de agir com firmeza quando preciso. A questão é que a mulher negra carrega dois estigmas: o do sexo e o da cor. Por conta disso, é ela quem sustenta a estrutura racista e patriarcal de uma sociedade. Assim, ela sofre preconceito por ser mulher e também por ser negra. O cabelo da mulher preta é motivo de "piada", a cor da mulher preta é motivo de "piada", o corpo da mulher preta é motivo de "piada" e por aí vai. É preconceito por todo lado. Além disso, pelo fato de a maioria das mulheres negras morarem na periferia, elas têm a casa invadida pela Polícia Militar (PM), têm os filhos mortos pela mesma e têm os filhos vítimas de ações arbitrárias também executadas pela PM. É violência o tempo todo. Além disso, por várias razões (abandono do esposo, separações e por serem mães solteiras por exemplo) as mulheres negras é que são as chefes de família em muitos lares. Além de trabalharem fora a fim de garantir o sustento de seus lares, as mulheres negras têm que cuidar (na maioria das vezes sozinha) de seus filhos e da casa. Toda essa situação aqui descrita resumidamente faz com que a mulher negra tenha que se impor na maior parte do tempo, já que se não fizer isso não terão os seus direitos garantidos. Entretanto, aos olhos do branco, o grande beneficiado deste sistema patriarcal e machista, não tem razão para uma mulher negra se comportar desta maneira. Isso faz com que o branco veja a mulher negra como "histérica", "nervosa" e "louca". Tais adjetivos reforçam o racismo vivido pelas mulheres negras e tentam deslegitimar todas as reivindicações da mulher negra e do movimento negro de forma geral.

Conclusão

     A mulher negra não é mais forte que  a mulher branca e nem mais forte do que qualquer outra pessoa. Além disso, a mulher negra não é "histérica" e nem coisa parecida. O que diferencia as mulheres negras das demais é o fato de as mesmas estarem na base da estrutura desta sociedade racista e patriarcal. Esta posição coloca as mulheres pretas sob constantes ataques machistas e também racistas, fazendo com que as mesmas tenham de se impor o tempo todo. 

17/10/2017

10 cenas de sexo da TV brasileira que deram o que falar

Rodrigo Lombardi e Alessandra Ambrósio em cena da novela Verdades Secretas (2015). Créditos na imagem.

     Exibir cenas de sexo na televisão, independente do horário, é problemático. Isso porque, por mais que haja a classificação etária indicativa aparecendo no começo da exibição da atração, o fato é que o canal é aberto. Logo, qualquer pessoa pode ver tal cena. Por conta disso, tudo fica na base da sutileza, onde o lençol/edredom é indispensável. Além disso, o máximo que se vê são as pessoas (na maioria das vezes um homem e uma mulher) tirando a roupa e indo para os finalmente. Um fato curioso é que é sempre mostrado o homem tirando pelo menos a camisa, principalmente quando se trata de um galã. O objetivo é destacar o peitoral perfeito do ator e deixar homens e mulheres boquiabertos, alavancando a audiência. Entretanto, quando é mulher, o máximo que se vê é ela tirando o sutiã e quando o mesmo é tirado, ela está sempre de costas e/ou os seios não são mostrados quando ela está de frente.
     Porém, mesmo com todos os contratempos acima citados (não estou criticando isso, já que nem tudo que passa na televisão é apropriado para crianças), na televisão aberta já foram exibidas cenas de sexo muito bem feita e que tiveram grande repercussão. Abaixo você confere algumas cenas de sexo que na minha opinião são as melhores. Confira:

1 - Vera Holtz e Taiguara Nazareth em Presença de Anita (2001):


Vera Holtz e Taiguara Nazareth em cena  da minissérie Presença de Anita (2001). Imagem: Reprodução. 

     Na minissérie Presença de Anita (2001), adaptada para a televisão por Manoel Carlos (a obra foi baseada em um livro homônimo de Mário Donato), Marta (Vera Holtz) era uma viúva rica que tinha um discurso racista. Entretanto, ela era vidrada em homens negros e era a própria quem os contratava para trabalhar em sua casa. Um destes era André (Taiguara Nazareth), que logo chamou a atenção de Marta. Em um dia em que estavam somente Marta e André em casa, ambos acabam transando loucamente no quarto de empregados onde o rapaz dormia. A sequência, muito bem feita, mostra Marta satisfazendo os seus desejos sexuais ao lado do belo e atlético André. A sequência em questão é até hoje lembrada e pode ser facilmente encontrada em sites eróticos.

2 - Caio Blat e Ricardo Pereira em Liberdade, Liberdade (2016):


Caio Blat (à esquerda) e Ricardo Pereira (à direita) em cena épica da televisão brasileira. Créditos na imagem.

     André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) eram muito amigos na minissérie Liberdade, Liberdade (2016). Com o passar do tempo, ambos foram percebendo que o sentimento que nutriam um pelo outro era mais do que amizade. A relação dos dois era completamente improvável e parecia que não ia dar certo, já que André era um rapaz educado e sofisticado, ao passo que Tolentino era rude e bruto. Entretanto, o amor que nutriam um pelo outro era mais forte que tudo isso e em uma sequência bela e sensível, ambos se entregam a este sentimento. A cena em questão foi a primeira cena de sexo da televisão brasileira que foi protagonizada por dois homens. A mesma pode ser vista aqui.

3 - Rodrigo Lombardi e Alessandra Ambrósio em Verdades Secretas (2015):


Samia (Alessandra Ambrósio) e Alex (Rodrigo Lombardi) em Verdades Secretas (2015). Imagem: TV Globo. 

     A "novela das onze" Verdades Secretas (2015) é marcada por muitas cenas que mostram pessoas transando. Não é para menos, já que o tema central do folhetim era a prostituição que ocorria no submundo da moda. Logo no primeiro capítulo, Alex Ticiano (Rodrigo Lombardi) e Samia (Alessandra Ambrósio) transam apaixonadamente. Logo em seguida, a então noiva de Alex veste o blusão do amado e o mesmo não veste NADA. Desta forma, o bumbum do ator fica de fora e a internet foi à loucura. O sucesso foi tanto que o ator teve de mostrar o bumbum outras vezes para a câmera.

4 - Bruna Marquezine e Daniel de Oliveira em Nada Será como Antes (2016):


Daniel de Oliveira e Bruna Marquezine em sequência 'caliente' de Nada Será como Antes (2016). Imagem: Reprodução. 

     Nada Será como Antes (2016) é uma minissérie que conta, por meio da ficção, os primeiros momentos da televisão no Brasil. Ao longo da história, Beatriz (Bruna Marquezine) se envolve com Otaviano (Daniel de Oliveira). Esta relação foi retratada na trama em sua intensidade. Entretanto, a sequência, que até então não tinha ido ao ar, vazou na rede e o assunto foi o mais falado por muito tempo. A TV Globo disse que puniria "exemplarmente" os responsáveis por tal vazamento. Porém, ninguém nunca foi punido por isso e há até quem ache que foi a própria emissora que vazou as cenas como uma estratégia de marketing para promover a minissérie.

5 - Bruna Marquezine e Jesuíta Barbosa em Nada Será como Antes (2016):


Jesuíta Barbosa e Bruna Marquezine em cena de Nada Será como Antes (2016). Créditos na imagem.

     Além de protagonizar cenas quentes ao lado de Daniel de Oliveira, Bruna Marquezine também protagonizou momentos intensos e a dois ao lado de Jesuíta Barbosa em Nada Será como Antes (2016). É Davi, personagem de Jesuíta Barbosa, que mata Beatriz (Bruna Marquezine) no penúltimo capítulo da minissérie em questão. As cenas de sexo protagonizadas por Bruna Marquezine tiveram tamanha repercussão pelo fato de Bruna ser muito famosa e também por ser a primeira vez em sua carreira que ela faz cenas do gênero.

6 - Paolla Oliveira e Maria Fernanda Cândido em Felizes para Sempre? (2015):


Paolla Oliveira e Maria Fernanda Cândido em Felizes para Sempre?. Créditos na imagem.

     Felizes para Sempre? (2015) é uma minissérie exibida na TV Globo. A trama gira em torno de cinco casais de uma mesma família que passam por momentos difíceis em seus respectivos casamentos e que quase sempre acabam cometendo adultério. Marília (Maria Fernanda Cândido) é casada com Cláudio (Enrique Diaz), que certa feita revela o desejo de fazer mènage a trois (sexo a três). É neste momento que entra em cena a garota de programa Danny Bond (Paolla Oliveira). Marília não consegue participar do ato, mas no decorrer da história se envolve com a prostituta, rendendo ótimas e intensas sequências.

7 -  Letícia Spiller, Marcos Palmeira e Carla Salle em Os Dias eram Assim (2017):


Os Dias eram Assim (2017) teve uma ousada cena de Ménage. Imagem: Reprodução. 

     Em Os Dias eram Assim (2017), Monique (Letícia Spiller) abandono o marido Toni (Marcos Palmeira) e os três filhos e vai embora com um rapaz mais jovem que foi interpretado pelo ator José Loreto. Anos mais tarde e dizendo estar sem dinheiro, Monique volta a morar na casa que viveu com o ex-marido e os filhos. Porém, Toni está namorando Maria (Carla Salle) e a convivência entre os três se mostra pacífica (até demais). Em uma reunião a três onde rolou muita risada e vinho, ambos acabam transando.

8 - Bárbara Evans e Cauã Reymond em Dois Irmãos (2017):


Bárbara Evans e Cauã Reymond em cena da minissérie Dois Irmãos (2017). Imagem: Reprodução/Globo. 

     Dois Irmãos é um romance do renomado escritor brasileiro Milton Hatoum e que foi adaptado para a televisão. A trama central é em torno de dois irmãos gêmeos (Cauã Reymond interpreta ambos na idade adulta) que são eternamente rivais. Lívia (Bárbara Evans) vai se despedir de Yaqub (Cauã Reymond) na casa do rapaz e ambos acabam transando no jardim, em meio às plantas. Eles nem se deram ao trabalho de tirar a roupa por completo.

9 - Lívia Rossy e Fernando Pavão em Sansão e Dalila (2011):


Ayla (Lívia Rossi) e Sansão (Fernando Pavão) em Sansão e Dalila (2011). Imagem: Reprodução. 

     Como vocês já devem ter observado, a maioria das cenas de sexo aqui mostradas são da TV Globo. Entretanto, esta é exceção. Esta cena é da minissérie Sansão e Dalila (2011), da Rede Record. Sansão (Fernando Pavão) se deixa seduzir pela prostituta Ayla (Lívia Rossi) e se entrega à luxúria. A sequência é intensa e a iluminação é pouca. Entretanto, é possível ver claramente o que está acontecendo. Nos capítulos posteriores, a prostituta reconhece que jamais esquecerá de um cliente como Sansão. Esta cena tem a sua particularidade pelo fato de a Rede Record não exibir muitas cenas do gênero, principalmente quando se trata de uma minissérie bíblica.

10 - Chandelly Braz e Sérgio Guizé em Saramandaia (2013):


Chandelly Braz e Sérgio Guizé em cena de Saramandaia. Créditos na imagem. 

     Saramandaia (2013), que na verdade é um remake da primeira versão homônima de 1976, é um folhetim que tem elementos de conto de fadas. O protagonista João Gibão (Sérgio Guizé) tem asas e a amada Marcina (Chandelly Braz) fica com o corpo super aquecido quando está excitada, chegando a colocar fogo nas coisas ao redor. Este fato dificulta a primeira vez do casal. O ato sexual praticado pelos dois acontece no meio do mato e na chuva, em uma cena quente e ao mesmo tempo delicada. 

10/10/2017

A romantização da crise econômica vivida no Brasil

Imagem: Reprodução.

      O Brasil está vivendo uma crise política, econômica e moral sem precedentes na história. Entretanto, em meio a este quadro, tem gente que romantiza esta crise, principalmente a econômica.
     Desde 2013 que o Brasil vive uma crise política, econômica e moral sem igual na história do país. As manifestações de Junho de 2013 revelaram a falência de um sistema político há tempos usado no país. No estado do Rio de Janeiro, a crise econômica é ainda mais aguda. Presente no governo do estado desde 2003 sem interrupção (isso sem levar em consideração quando Moreira Franco foi o governador entre os anos de 1987 a 1991), o PMDB faliu o estado do Rio de Janeiro. O índice de desemprego é altíssimo, aposentados estão com as aposentadorias atrasadas e profissionais das áreas da saúde e educação estão na mesma situação. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) é o símbolo da falência do estado do Rio. Com professores e funcionários com seus salários atrasados há meses, as aulas na universidade são interrompidas com frequência e quem estuda lá não sabe quando irá se formar. A UERJ agoniza.

A UERJ, uma das melhores universidades do estado do Rio de Janeiro, do Brasil, da América Latina e também do mundo passa por um período difícil nunca visto em toda sua  história. Imagem: Reprodução. 

     Voltando para o quadro nacional, a crise também se estende às esferas política e moral da sociedade brasileira. As constantes denúncias de corrupção e prisão de políticos de alto escalão que tinham um discurso moralista fazem com que muitos brasileiros percam a sua fé na política. Isto se reflete nas eleições, onde o número de votos brancos, nulos e ausências é cada vez maior. Na economia, o foco deste texto, a crise resulta em um alto número de desempregados e, embora estes sejam em sua maioria aqueles que estão na base da pirâmide social, o desemprego também tem chegado para os profissionais de classe média. Até pessoas com curso superior se encontram desempregadas. Há professores, engenheiros, médicos, advogados, arquitetos e administradores sem emprego.
     Ficar desempregado é assustador, principalmente quando outras pessoas dependem de você. Entretanto, alguns programas de televisão romantizam a crise econômica que o país vive. Nestes mesmos programas, são produzidas reportagens do tipo: "advogada que estava sem emprego abre pizzaria de sucesso", "nutricionista que não conseguia arrumar emprego abre negócio de sucesso" e por aí vai. Estas reportagens romantizam o fato da pessoa estar desempregada e o modo como ela contornou a situação, de forma bem sucedida por sinal. Entretanto, esta situação não é problematizada. Não é questionado porque uma pessoa com curso superior não consegue arrumar emprego, não é questionado porque uma advogada bem qualificada teve que abrir uma pizzaria e não é questionado porque uma nutricionista teve que abrir um negócio nada a ver com sua formação para sair do "vermelho". Certa feita, assistindo a um desses programas matinais que passam na TV aberta, um convidado do programa disse que a crise é uma boa oportunidade para a pessoa experimentar outras coisas e assim conhecer as suas potencialidades. Em outras palavras, ele estava justificando a crise econômica no país que está levando milhares de pessoas a procurarem emprego fora da sua área de formação.

Conclusão

     A crise que o Brasil vive é romantizada por alguns apresentadores de televisão. Estas pessoas enxergam na crise uma oportunidade ideal para "experimentação". Toda experimentação é válida se a pessoa estiver disposta a viver a mesma. Mas o que ninguém quer é fazer isso de modo forçado e em um momento em que se encontra desempregado. 

05/10/2017

A sofrida posição de goleiro

Jakson Follman nos tempos em que era goleiro. O avião que levava o time da Chapecoense para uma cidade da Colômbia caiu e ele foi um dos seis sobreviventes, tendo uma de suas pernas amputadas. Imagem: Reprodução. 

     O goleiro é aquele jogador de futebol que atua no gol. A sua função é impedir que a bola não entre no gol e consequentemente não deixar o time adversário fazer gol. A posição de goleiro é sofrida, sem muita visibilidade e que vive em constante pressão. 

Escalação do jogo entre Flamengo e Palestino, realizado em julho de 2017. O Flamengo fez 5 gols, ao passo que o Palestino fez somente 2. Imagem: Reprodução/Flamengo. 

     Uma pessoa que não entende muito de futebol pode acreditar que o esporte se resume a um monte de pessoas correndo atrás de uma bola até fazer o gol. Mas não é bem assim. Em um time de futebol há atacantes, meio-campos, zagueiros e goleiro. Ao mesmo tempo em que correm atrás da bola, estes jogadores procuram a todo instante como driblar o adversário e fazer gol. O sucesso de um time de futebol depende do time. Com isso, se um time vai bem, o mérito é do time. E se o time vai mal, a culpa é do time também. Entretanto, esta pressão tem um peso ainda maior em cima do goleiro. 

Alex Muralha, goleiro titular do Flamengo. Imagem: Reprodução. 

     Se o time vai mal, o time todo é culpado e pressionado por isso. Entretanto, esta pressão costuma ser maior em cima do goleiro. Ele costuma ser culpado por ter deixado o time adversário fazer gol, como se ele fosse o responsável pela vitória e pela derrota de um time. O caso mais recente, mas não o único, é o de Alex Muralha, goleiro do Flamengo. O goleiro em questão tem sido criticado por ter um desempenho em campo que deixa muito a desejar, quando na verdade o Flamengo tem deixado a desejar em campo de uma forma geral. As críticas vêm de torcedores e também da imprensa. O jornal carioca Extra chegou a trazer em sua versão impressa uma capa onde desrespeitava Alex Muralha, dizendo que não mais o chamaria dessa maneira por conta da má fase que vive. O fato gerou uma onda de repúdio vinda de flamenguistas e também de não-flamenguistas. Isso sem contar com os incontáveis memes na rede zombando do goleiro do Flamengo. Em entrevista, Muralha disse estar sendo "massacrado o ano todo" e que a pressão que sofre tem atingido a mãe, que precisou de remédios para dormir. Outro exemplo que pode ser aqui citado é o de Júlio César, jogador de futebol brasileiro que atua como goleiro e que atualmente está no clube Sport Lisboa e Benfica. Em 2010, Júlio César era o goleiro titular da seleção brasileira na Copa do Mundo, que foi realizada na África do Sul. Júlio César foi muito criticado e até o próprio reconheceu que falhou, permitindo que a Holanda fizesse seu primeiro gol. A seleção holandesa eliminou a brasileira e a seleção canarinho foi eliminada da Copa do Mundo de 2010. Quatro anos depois, na Copa do Mundo de 2014, que foi realizada no Brasil, o goleiro se redimiu e se tornou um dos grande heróis em uma disputa contra a seleção chilena nas oitavas de final. Esta mesma disputa terminou empatada no tempo normal e teve de ser levada para os pênaltis. O Brasil ganhou este jogo, mas não levou o título. O resultado final todo mundo já sabe. 

O goleiro Taffarel nos tempos em que jogava pela seleção brasileira. Ele é considerado um dos melhores goleiros que o Brasil já teve. Imagem: FIFA/Divulgação.
     Além de ser a posição que mais sofre pressão, a posição de goleiro é a menos famosa também. Em uma partida de futebol, o goleiro só tem visibilidade quando a bola está rolando nas proximidades do gol, onde o risco de um time jogar uma bola dentro da rede é eminente. O goleiro tem visibilidade também quando um jogador chuta uma bola em direção ao gol, acertando a bola na rede ou não. Além disso, muitos meninos que sonham em jogar futebol não cogitam a posição de serem goleiros. Não estou dizendo que não há pessoas que sonham em jogar no gol, mas estas não são a maioria. A maioria dos meninos que sonham em ser jogadores de futebol se inspiram em Pelé, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldinho Fenômeno, Kaká, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar e por aí vai. Há goleiros que deixaram seu nome na história, como por exemplo Taffarel, que participou de três Copas do Mundo (1990, 1994 e 1998), onde a sua atuação foi decisiva na conquista do tetracampeonato da seleção brasileira, em 1994. Atualmente, Taffarel é treinador de goleiros da seleção brasileira. Voltando à Copa do Mundo de 2014, Guillermo Ochoa era o goleiro titular da seleção mexicana de futebol. O goleiro, que vinha sendo destaque há um tempo, deixou os espectadores impressionados com sua atuação em campo em um jogo contra a seleção brasileira. O jogo entre Brasil e México terminou em zero a zero e a internet foi inundada de incontáveis memes elogiando a atuação de Ochoa em campo. Atualmente, além de jogar pela seleção mexicana, Guillermo Ochoa joga também no Royal Standard de Liège, um time belga de futebol. Outro goleiro de grande notoriedade no país atualmente é o paraguaio Gatito Fernández, que joga no Botafogo. Gatito foi eleito pela CBF como o melhor goleiro da Copa do Brasil. Como vocês podem ver, há muitos goleiros de destaque mundo afora e os mesmos até são premiados por seus feitos. Entretanto, eles não têm a mesma fama que os jogadores de futebol que atuam nas demais posições costumam ter. 

Conclusão

     A posição de goleiro é sofrida, sem muita visibilidade e sempre recebe uma pressão maior quando o time sofre uma derrota. Mesmo que alguns tenham visibilidade e sejam premiados pelo desempenho em campo, o fato é que a maioria dos jovens, principalmente aqueles que querem ser jogadores de futebol, não se inspiram nos mesmos na busca de seus sonhos. 

03/10/2017

o potencial lucrativo dos cabelos crespos e cacheados

Imagem: Créditos na imagem. 

    Nos últimos tempos, homens e mulheres têm assumido os seus cabelos cacheados sem pudor algum. Percebendo este fato, as empresas de cosméticos viram o potencial lucrativo disso e investem cada vez mais em produtos voltados para cabelos cacheados e crespos.
     De uns tempos para cá, as mulheres e os homens estão assumindo os seus cabelos crespos e cacheados sem pudor algum. Acredito que isso se deve sobretudo a luta antiga e incansável do movimento negro, cujos frutos são muitos, nos quais se destacam a implantação de cotas raciais em universidades e concursos públicos e a obrigatoriedade do ensino de História da África. Destaque também para os incontáveis e incansáveis negros que, tendo consciência de sua cor, enfrenta com valentia o racismo, que se manifesta por meio de "brincadeiras", "piadas", "comentários" e até a forma descarada do mesmo. São estas mesmas pessoas que enfrentam as diversas manifestações de racismo para assumir seus cabelos crespos e cacheados. Porém, vale destacar que o racismo ainda é uma realidade no Brasil e há um longo caminho pela frente na erradicação do mesmo.

Imagem: Créditos na imagem. 

     Como dito no parágrafo anterior, se atualmente os cabelos cacheados e crespos estão em alta (na verdade, esta é uma moda que vai e volta o tempo todo. Esteve em alta nos anos 1970 e 1980 e voltou com força total nos últimos tempos), isso se deve aos negros que têm consciência de sua cor e se orgulha de seus traços. A tendência em questão extrapolou o espaço da militância negra e se tornou uma grande moda, em especial entre os jovens. Nas redes sociais há incontáveis páginas dedicadas ao cabelos não lisos. Em tais páginas os conteúdos compartilhados são cremes, pentes, escovas e dicas para os cabelos que não são lisos. Já no Youtube há dezenas (talvez centenas ou mais) de canais voltados para os cabelos cacheados e crespos. A finalidade é ensinar a pessoa a cuidar de seus cabelos. Isso acontece porque muitos cabeleireiros mundo afora não foram preparados para cuidar de cabelos cacheados e crespos. Por conta disso, as pessoas vêem em tais páginas e canais aquilo que elas não encontraram em muitos salões de beleza. Vou contar uma experiência pessoal para vocês. Desde 2010 que eu não corto o meu cabelo na máquina e certa feita eu queria fazer algo diferente, mas não sabia o que exatamente. Fui em um salão de beleza a fim de que o cabeleireiro compreendesse o que eu queria. Entretanto, o que ouvi não me agradou nem um pouco. Ele disse que o meu cabelo, pelo fato de ser crespo, não dava para fazer muita coisa e nem experimentar outros cortes. Não haveria solução, a não ser o corte a máquina. A saída que ele viu foi alisar meu cabelo e daí tentar fazer algum corte nele. Recusei esta proposta. Este fato revela o que muitas pessoas crespas e cacheadas enfrentaram ao ir em salões de beleza ao longo da vida.

Imagem: Reprodução. 

     O capitalismo tem a incrível e também assustadora capacidade de lucrar em cima de tudo e de todos, inclusive de lutas históricas. Foi motivado nesta natureza capitalista que muitas empresas de cosméticos viram nos cabelos crespos e cacheados a oportunidade de lucrarem. Em supermercados, farmácias e lojas de cosméticos há uma verdadeira inundação de cremes voltados para cabelos não lisos, algo se não se via há 10 e/ou 20 anos atrás. Além disso, empresas que antes não produziam produtos para cabelos não lisos, agora dedicam toda uma linha voltada para os cabelos crespos e cacheados. Os produtos são dos mais diversos e contém todo tipo de ingrediente, como por exemplo: limão, poupa de frutas, iogurte, maionese, mostarda, ketchup, carvão, leite condensado e tem até creme vegano. As promessas também são muitas: maciez, "soltura" dos cachos, definição dos cachos, brilho, leveza, movimento, hidratação profunda, limpeza hiper profunda e auxiliar aquelas pessoas que estão em transição capilar (abandonando a química gradativamente e assumindo os cabelos naturais).

Giovanni Ferrer tem um canal no Youtube onde mostra como cuida de seus imensos cabelos. Imagem: Reprodução. 

     Assim como as mulheres, os homens também têm assumido os seus cachos e este fenômeno não é pequeno, pelo contrário. Brasil afora, muitos rapazes estão assumindo os seus cachos e as redes sociais são o exemplo máximo disso, onde é possível encontrar muitas páginas voltadas para homens cacheados. Nelas, rapazes ensinam outros rapazes como cuidar de seus cachos. Além disso, estas páginas auxilam aqueles que procuram uma referência masculina de uma pessoa cacheada. Pensando nisso, vi recentemente que uma empresa está dedicando uma linha exclusiva para cabelos cacheados masculinos. Acho isso uma tremenda besteira porque não existe essa de cabelo de homem e cabelo de mulher: o que existe é cabelo. Vim de uma família onde as pessoas são negras e possuem os cabelos crespos. Desta forma, eu costumo usar os cremes de cabelo que minha mãe e irmã usam. Faço isso há um tempo e estou muito satisfeito com os resultados que os mesmos trazem.
     Os cabelos crespos e cacheados são uma moda e algumas empresas de cosméticos têm procurado lucrar com isso, o que não é ruim. O desafio agora é ir além do modismo e procurar aprofundar o debate em torno da questão racial e da formação étnico-racial brasileira, onde mais de 50% da população brasileira se reconhece como negra. Entretanto, a grande mídia ainda insiste em representar o país como um lugar onde a maioria dos habitantes são brancos.

Conclusão

     Os cabelos crespos e cacheados são uma moda entre homens e mulheres. Isso é fruto da incansável e antiga atuação do movimento negro, que prega que os cabelos crespos e cacheados devem ser aceitos tal como são. A indústria de cosméticos percebeu isso e usa este fato para lucrar, o que não é de todo ruim. O desafio agora é ir além da moda e aprofundar o debate em torno da questão racial. 

28/09/2017

A relação patrão-empregado doméstico segundo as novelas

Dita (Karla Karenina, à esquerda) e Silvana (Lília Cabral, à direita) em cena da novela A Força do Querer (2017). Imagem: Reprodução. 

     Os empregados domésticos têm as suas particularidades e possuem uma relação profissional com seus patrões. Entretanto, o que a maioria das novelas mostram não é bem isso. Exceções existem, mas não são a regra.
   Os empregados domésticos (governanta, mordomo, cozinheira, faxineira, diarista e babá por exemplo) são pessoas que trabalham na cada de outras pessoas. Por conta disso, eles ficam sabendo de coisas da vida particular de seus patrões que muita gente não sabe. Isso faz com que a relação patrão-empregado doméstico seja de extrema confiança, já que o empregado saberá de coisas que a maioria das pessoas não saberão. E nem é preciso dizer que é no mínimo anti-ético o empregado sair contando por aí tudo da vida do patrão, ainda que ele tenha sido demitido ou o patrão tenha morrido. A relação patrão-empregado doméstico é de confiança, não necessariamente de intimidade.
     Entretanto, o que as novelas e séries televisivas mostram não é nada disso. Nestes trabalhos, os patrões e os empregados domésticos possuem uma relação de amizade e cumplicidade. Os empregados aconselham seus patrões, lhes dão dicas, os consolam e até encobrem as suas infrações. Um exemplo disso é a relação entre Silvana (Lília Cabral) e Dita (Karla Karenina), patroa e empregada respectivamente, personagens do super sucesso A Força do Querer (2017). Silvana é uma viciada em jogos de azar, embora não se reconheça como tal, chegando a virar noites jogando, contraindo dívidas com agiotas, parando em delegacias e até sendo ameaçada de morte uma vez. Mesmo correndo riscos, Silvana consegue manter o seu vício em segredo com a ajuda da empregada Dita. Em troca dessa ajuda, Dita sempre recebe uma boa gorjeta quando Silvana consegue ganhar muito dinheiro com os jogos de azar. Ainda em A Força do Querer, Zul (Cláudia Mello) é a governanta da casa onde a Joyce (Maria Fernanda Cândido) mora com sua família. Zul trabalha há anos na casa da família e por conta disso conhece os membros da mesma muito bem. A personagem de Zul dá conselhos para Joyce, acalma os conflitos familiares, tem compaixão de Ivana/Ivan (Carol Duarte) (aliás, é a única que sempre teve compaixão do jovem trans, enquanto todos não o compreendiam) e desconfia do comportamento de Ritinha (Ísis Valverde), quase pegando-a no flagra várias vezes.

Zul (a primeira à esquerda) em pose para foto da família para a qual trabalha há anos. Ela é "quase da família". Imagem: Reprodução. 

    Entretanto, se deve ressaltar que nem toda relação patrão-empregado doméstico é tão profissional como foi citada aqui. Há patrões que constroem vínculos de amizade com seus empregados. A própria Karla Karenina, que interpeta a Dita na atual novela de Glória Perez, disse recentemente no programa da Fátima Bernardes que ela conhece uma mulher que é mais que uma empregada dela. Elas são comadres, uma foi ama de leite do filho da outra e, além disso, Karla disse que essa pessoa sabe  de coisas sobre ela que mais ninguém sabe. Foi também no programa da Fátima Bernardes que um jovem negro (se não me falha a memória, o programa em questão falava sobre racismo), que faz Medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), contou que não conhece o pai, a mãe morreu e ele foi adotado pela família para a qual a mãe trabalhava como empregada doméstica. Conheço também o caso de uma mulher que trabalha há quase duas décadas ou mais para uma família. Para comemorar o aniversário dela, eles a levaram para os Estados Unidos com tudo pago. Exceções existem, mas não são a regra.

Conclusão

     Embora haja exceções, o fato é que a relação patrão-empregado doméstico é uma relação profissional, assim como qualquer outra e também de extrema confiança, uma vez que o empregado saberá de coisas que muita gente não saberá. Nas novelas, quase sempre o empregado doméstico tem grande familiaridade com o patrão para que o empregado tenha uma função na trama, ao invés de passar quase nove meses (tempo de duração de uma novela) servindo café, fazendo comida e dando faxina na casa por exemplo. Entretanto, se deve ressaltar que a novela é uma obra de ficção e em uma ficção tudo é possível. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...