12/12/2017

A popularidade dos signos do zodíaco

Imagem: Reprodução. 

    Os signos do zodíaco são bastante populares no Brasil e isso não vem de hoje. Entretanto, a impressão que se tem é os mesmos são um modismo da atualidade, o que não é verdade.
     A popularidade dos signos do zodíaco no Brasil não é uma coisa nova. Muito pelo contrário. Revistas e jornais voltados para os mais diversos públicos costumam ter um espaço reservado somente para os signos. E isso sem contar com as revistas de Astrologia que podem ser encontradas em qualquer banca de jornal por um preço bastante acessível.

Imagem: Reprodução. 

     Um fato que tem chamado a minha atenção  nos últimos tempos é a grande quantidade de portais sobre Astrologia que podem ser facilmente encontrados por aqui. Existe uma incontável quantidade de sites sobre signos. Tais colocam previsões diárias, semanais, mensais e anuais sobre cada signo. Além disso, tais portais fazem um mapa astral da pessoa que o pedir. É só colocar nome completo, data de nascimento, hora que nasceu, o local e o mapa fica pronto em instantes! Há também páginas de humor nas redes sociais sobre a Astrologia. Tais páginas brincam com as características de cada signo. Não vou dizer que é a única, mas uma das páginas mais conhecidas do ramo é a G1 dos Signos. Até o fechamento deste texto, a página, que está hospedada no Facebook, tem mais de 2 milhões de seguidores. Outra coisa que também me chama a atenção é a quantidade de artistas que falam seus signos na bio de suas respectivas contas no Instagram.
     Uma pessoa baseada no senso comum pode acreditar que os signos viraram modinha e/ou que é um sucesso recente. Não é uma coisa e nem outra. Os signos já eram populares no Brasil muito antes da internet. A mesma só ampliou um sucesso que já era existente. Esta popularidade dos signos no Brasil pode ser vista  no mínimo, como peculiar, já que o Brasil é um país cuja maioria dos habitantes são cristãos (católicos e evangélicos). Isso porque o cristianismo reprova a Astrologia. Entretanto, o sincretismo religioso é uma característica do país. É fato que a Astrologia não é uma religião, mas a partir do momento em que a pessoa olha o horóscopo do dia e as previsões para  seu signo e procura basear suas atitudes em tais, ela está depositando a sua fé nos astros.

Representação dos doze signos do zodíaco. Imagem: Reprodução. 

Conclusão

     Os signos do zodíaco são muito populares no Brasil e isso não vem de hoje. A diferença é que com o advento da internet, a popularidade dos signos se tornou ainda maior do que já era. Além disso, a popularidade dos signos no Brasil revelam a diversidade religiosa e o sincretismo religioso existentes no país, embora alguns neguem tais.

07/12/2017

Homens de cabelos longos. Mudança nos padrões masculinos de beleza?

Rei Tritão de costas, personagem do clássico infantil A Pequena Sereia (1989). Reparem nas longas madeixas brancas do personagem. Imagem: Reprodução. 

     Histórica e culturalmente, muitos homens de diversas culturas usam cabelos curtos, ao contrário da mulher, que usa cabelos longos. Isso acontece porque os cabelos compridos são um símbolo máximo de feminilidade e que, portanto, não deve ser usado por homem nenhum. Já os cabelos curtos são um símbolo de virilidade e é por isso que muitos homens cortam o cabelo. Entretanto, mundo afora há homens que não estão nem um pouco preocupados com tais simbologias e têm deixado as madeixas crescerem. E mais: eles ficaram tão bem de cabelos longos que é praticamente impossível imaginá-los sem as madeixas. Confira abaixo alguns homens de cabelos longos cujo adjetivo "bonito" é apelido para eles:

1 - Brock O'Hurn

Brock O'Hurn em pose para foto. Créditos na imagem.
     Brock O'Hurn é um modelo e ator norte-americano. Além disso, é conhecido também por fazer vídeos tutoriais onde ensina os homens a usarem coques. A sua altura (2,01 m), seu corpo musculoso e bem definido, a sua barba e as longas madeixas loiras o fazem bastante popular. Os mais incontidos acreditam que ele extrapola os limites da beleza.

2 - Lasse Matberg

Lasse Matberg, o "viking bonitão". Imagem: Reprodução.

     Lasse Matberg, também conhecido como "viking bonitão" ou até mesmo "Thor", é um oficial de esportes da Marinha norueguesa e é formado em Nutrição Esportiva. Gosta de surfar, praticar esportes e viajar. Sua beleza já chamou tanta atenção que ele já apareceu em programas de televisão em seu país e apareceu em veículos como Cosmopolitan UK, Metro UK, BuzzFeed e ABC News

3 - Shane Fontanne

Shane Fontanne em pose para foto. Imagem: Reprodução. 

     Shane Fontanne (ou seria Shane Horn?) tem Instagram (veja aqui), mas é de colocar muitas fotos por lá. Entretanto, as poucas fotos do mesmo foram suficientes para deixar os amantes do cabelo cacheado fascinados com as madeixas de Shane. Os cabelos do rapaz possuem um comprimento e uma definição perfeitos. Por essa razão, ele já apareceu várias vezes em páginas voltadas para cabelos cacheados.

4 - Giaro Giarratana

Giaro Giarratana. Imagem: Reprodução. 

     Giaro Giarratana é um modelo, cineasta e youtuber. Atualmente mora na Austrália. Assim como Shane Fonntane, Giaro já apareceu em algumas páginas da rede aqui do Brasil que são voltadas para cabelos cacheados.

5 - Jason Momoa

Jason Momoa é conhecido do grande público por ter feito parte do elenco de Game of Thrones (2011-atualmente). Imagem: Barry King/Getty Images

     Jason Momoa é um ator e modelo nascido nos EUA, mais precisamente em Honolulu, Havaí. Além da beleza, Jason também é conhecido por sua atuação em Conan, o Bárbaro (2011), Batman vs Superman: a origem da justiça (2016), Liga da Justiça (2017), Aquaman ( com previsão de estreia para 2018) e, talvez o seu personagem mais conhecido: o Khal Drogo de Game of Thrones (2011-atualmente). Os cabelos longos são uma marca registrada de Jason Monoa, que já atuou em vários papéis onde seu personagem tinha cabelos compridos.

6 - Gabriel Henri

Gabriel Henri costuma dar dicas para pessoas que têm cabelos cacheados. Imagem: Reprodução. 

     Gabriel Henri é um cantor, modelo, bailarino e coreógrafo brasileiro. Além disso, é administrador do "instablog" Garoto Cacheado e tem um canal no Youtube de mesmo nome. É conhecido por ensinar moças e rapazes a cuidarem de seus cabelos crespos.

7 - Marcelo Falcão

Os dreads são uma marca registrada de Marcelo Falcão. Imagem: Reprodução/Youtube.

     Marcelo Falcão é um cantor e compositor brasileiro conhecido por integrar o grupo O Rappa. Marcelo usa dreads há muitos anos e, assim como nos casos citados acima, os mesmos são sua marca registrada. 

8 - Benny Harlem

Benny Harlem ganhou a rede ao postar fotos ao lado da filha. Imagem: Reprodução. 

     Benny Harlem ganhou seguidores no Instagram ao postar fotos inspiradoras ao lado da filha, onde aparecem ostentando enormes Black Powers.  Em entrevista para o site XoNeole.com, Benny disse que o ensaio, além de uma ação afirmativa, foi uma forma que ele encontrou de mostrar ao mundo a importância da relação com a filha, já que o próprio não conviveu com o pai.

9 - Chriz Perez

Chris Perez. Imagem: Reprodução/Facebook.

     Chriz Perez é um guitarrista que já fez parte de várias bandas. É conhecido mundialmente pelo fato de ter sido casado com a cantora Selena Quintanilla (1971-1995)*, uma cantora famosa que foi morta por Yolanda Saldívar, então administradora de seu fã-clube, depois que Selena e a família descobriram que Yolanda estava roubando a cantora. Selena e Chris se casaram em sigilo e estavam muito felizes. Pensavam em ter filhos quando Selena foi brutalmente assassinada. O trauma foi tão grande que Chris só veio a assistir o filme sobre a amada este ano (e mesmo assim ele não viu o final, que mostra o assassinato de Selena). O filme foi lançado em 1997. Bem, o fato é que há mais de duas décadas que Chris Perez usa cabelos longos. Acredito que ninguém consegue imaginar o mesmo sem as madeixas. 

*Em 1997, foi lançado o filme Selena, que, como já foi falado acima, conta a história de uma bela e talentosa cantora que foi morta por uma mulher que considerava de grande confiança. Quem interpretou a cantora foi Jennifer Lopez. Particularmente, acho um dos melhores (talvez o melhor) papéis que Jennifer já interpretou. Ela está idêntica à Selena! Curiosamente, Selena (que já estava morta) e Jennifer Lopez só se tornaram conhecidas internacionalmente depois do lançamento deste filme.

10 - Bob Marley 

Bob Marley (1945-1981)  popularizou a cultura rastafári. Imagem: Reprodução. 

     Bob Marley (1945-1971) foi um cantor, guitarrista e compositor jamaicano. É o mais conhecido cantor de reggae de todos os tempos e foi Bob quem popularizou o gênero e já vendeu mais de 75 milhões de discos. Além disso, Bob Marley popularizou também a religião rastafári e os dreads. A prova disso é que sempre que uma pessoa coloca dreads no cabelo, ela costuma ouvir expressões do tipo: "estilo Bob Marley". 

05/12/2017

Pabllo Vittar: o ponto fora da curva

Pabllo Vittar. Imagem: Reprodução. 

     Pabllo Vittar é uma cantora travesti muito conhecida no Brasil e que já se lançou timidamente fora do país. O sucesso de Pabllo é visto como no mínimo incomum, já que o Brasil é um país que massacra constantemente a população LGBT. E é justamente este fato que faz com que Pabllo seja uma referência para tantos LGBTs perseguidos no Brasil, uma verdadeira ilha de esperança em meio ao mar do conservadorismo.

Pabllo Vittar recebeu das mãos do apresentador Luciano Huck a placa de platina, platina triplo e diamante no último dia 2 no programa Caldeirão do Huck. Imagem: Reprodução. 

     Pabllo Vittar ganhou projeção nacional ao participar do programa Amor & Sexo da TV Globo. Após este programa, Pabllo, que já era conhecida em algumas regiões do Brasil e também era famosa na internet, era agora conhecida em todo o território brasileiro. Algumas de suas músicas mais conhecidas são: K.O., Sua Cara (em parceria com Anitta e Major Lazer), Corpo Sensual (em parceria com Mateus Carrilho), Open Bar, Nêga, Todo Dia (em parceria com o também travesti Rico Dalasam), Decote (em parceria com Preta Gil) e muito mais. As músicas de Pabllo são o maior sucesso e a prova disso é a premiação que ela recebeu no último sábado (2). A travesti recebeu das mãos do global Luciano Huck uma placa de platina, platina duplo e diamante pelo fato de conseguir mai de 420 milhões de reproduções em streaming de vídeo e de áudio. Outro fato marcante na carreira de Pabllo foi quando ela se apresentou ao lado de Fergie no Rock in Rio de 2017. Além disso, Pabllo Vittar foi a primeira artista a ter três músicas no Top 5 das músicas mais tocadas do Spotify brasileiro. As músicas a ocupar o ranking foram Sua Cara, K.O. e Corpo Sensual, que ficaram em primeiro, segundo e quinto lugar respectivamente. Vale ressaltar também que Pabllo Vittar é a drag queen mais seguida do mundo no Instagram. Até o fechamento deste texto, a drag tinha 5,5 milhões de seguidores no Instagram. Antes de Pabllo, quem ocupava o posto era RuPaul, que até o momento em que este texto estava sendo escrito, tinha 1,7 milhões de seguidores na rede social em questão.

Pabllo Vittar em versão morena. Imagem: Reprodução. 

     Quem imagina o sucesso estrondoso de Pabllo Vittar no Brasil (e que está ultrapassando as fronteiras nacionais) pode achar que o país é tolerante com relação a população LGBT. Somente uma pessoa mal informada pode pensar desta forma. O Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de LGBTs. A quantidade de mortes de LGBTs no Brasil é maior do que em países onde ser homossexual tem como punição a pena de morte. Além disso, o Brasil é também o país onde mais se mata transexuais no mundo e mais uma vez o índice é maior do que em países onde se identificar como transexual tem como preço a pena de morte. Explicar este fato não é tarefa fácil. Acredito que, se o Brasil ainda é um país machista (a LGBTfobia tem suas origens no machismo), por outro lado há uma parcela da população que lida com os travestis, transexuais e os LGBTs de uma forma geral com naturalidade.

Recentemente, um casal gay adolescente causou polêmica ao aparecerem se beijando na festa de aniversário cujo tema era Pabllo Vittar. Imagem: Reprodução. 

     Sabemos bem que o conservadorismo no Brasil tem ascendido de forma galopante. O Brasil parece estar se tornando mais conservador do que já é. Neste contexto, propostas progressistas, como por exemplo discussões sobre a sexualidade dentro e fora do ambiente escolar tem sido alvos de ataques cruéis. É a dita "ideologia de gênero", onde as pessoas que usam tal termo falam como se uma determinada sexualidade fosse colocada "goela abaixo" nos adolescentes de todo o país. Entretanto, mesmo com tamanhos ataques, Pabllo Vittar faz muito sucesso entre o público infanto-juvenil. Adolescentes (e até crianças) sabem cantar as músicas da Pabllo. Um amigo meu que cursa Ciências Sociais acompanha as aulas de Sociologia de um colégio particular onde estudou. Ele me disse que os adolescentes da escola adoram a Pabllo. Já um amigo meu que também fez História, conta que a cantora preferida da sobrinha (que se não me engano, ainda é uma criança) é a Pabllo Vittar. E o que dizer do adolescente de mais ou menos doze anos de idade que fez uma festa cujo tema era Pabllo Vittar? O adolescente em questão apagou as velas ao lado do namorado e o fato gerou polêmica na internet. Para os preconceituosos, o primeiro amor só vale se for heterossexual.

Conclusão

     Pelo fato de fazer um sucesso estrondoso no Brasil, Pabllo Vittar acaba sendo um ponto fora da curva porque o Brasil é um país bastante conservador cujo índice de assassinatos de LGBTs e especialmente de transexuais é o maior do mundo, ficando a frente de países onde a população LGBT é punida com a pena de morte. Além disso, Pabllo Vittar é um referencial para o público infanto-juvenil que ainda está descobrindo a sua sexualidade e acabam descobrindo quem são depois de conhecer a Pabllo. O sucesso da cantora em questão coloca em evidência a situação dos transexuais no Brasil, ajudando a combater a transfobia no país. 

30/11/2017

Por que falar de sexo ainda gera polêmicas?

Imagem: Reprodução. 

     Sempre que a palavra "sexo" aparece, a polêmica é grande, independente do contexto. Se uma atriz faz uma cena de sexo, todos as mídias falam sobre o assunto, se um ator ou uma atriz faz uma cena onde pratica o ato sexual com outro ator ou atriz; na mesma hora todo mundo fala sobre o assunto e o mesmo até vira um dos assuntos mais comentados das redes sociais. Por outro lado, há aquelas reações raivosas quando o assunto é sexo, usando o termo "ideologia de gênero" quando a palavra em questão vem a tona. Mas por que todo esse "auê" quando o assunto é sexo?

Imagem: Reprodução.

     Não adianta: passam-se os anos, mas o comportamento continua o mesmo. Se o assunto é sexo, a polêmica é garantida. A mídia e as redes sociais entraram em polvorosa quando Bruna Marquezine protagonizou cenas de sexo em Nada Será Como Antes (2016). Coisa não muito diferente aconteceu quando a atriz Marina Ruy Barbosa fez a mesma coisa em Justiça (2016). E o que dizer da sequência de sexo até hoje lembrada que foi protagonizada por Vera Holtz e Tiaguara Nazareth em Presença de Anita (2001)? Estes são apenas alguns exemplos e estrelas internacionais também deram o que falar quando protagonizaram cenas quentes nas telinhas.
     Se por um lado, sexo dá o que falar. Por outro lado, há as reações raivosas quando o assunto entra em evidência. Políticos conservadores barram propostas de educação sexual nas escolas e a exposição Queermuseu foi alvo de ataques violentes nas redes sociais, levando o banco Santander a antecipar o fim da mesma. Cogitou-se exibir a exposição na cidade do Rio de Janeiro, mas o prefeito Marcelo Crivella, que é filiado a Igreja Universal do Reino de Deus (e que volta e meia oferece benesses a mesma), barrou a exposição. A filósofa Judith Butler, conhecida mundialmente por seus estudos relacionados ás questões de gênero, foi vítima de cruéis e constantes ataques quando veio ao Brasil para uma palestra em São Paulo. Em um período em que o conservadorismo cresce de maneira assustadora no país, os ataques a assuntos relacionados a sexualidade são cada vez mais comuns e cruéis.

Mark Ruffalo (à esquerda) e Matt Bomer (à direita) em cena do filme The Normal Heart (2014). Imagem: Reprodução. 

     Mas por que falar de sexo ainda é uma coisa tão polêmica? Primeiro, porque historicamente é ensinado que o sexo é ruim, demoníaco e que não se deve falar sobre isso. Pode até fazer, mas não pode falar. E segundo, porque quando se fala em sexo, querendo ou não, as estruturas do patriarcado são abaladas. Isso porque o patriarcado ensina que o homem pode dormir com quantas mulheres quiser, mas a mulher não. O homem é incentivado a sair com várias mulheres, mas a mulher não. Ao homem, é dada a oportunidade de conhecer seu corpo muito bem, a mulher não. Então, quando se fala em sexo, de uma forma direta ou indireta, tal estrutura é questionada. É por meio das aulas de educação sexual que a mulher conhece seu corpo, aprende a saber o que quer na hora do sexo e descobre como ter prazer com outra pessoa. E mais: é através das aulas de educação sexual que a mulher aprende que quando ela não quer, ela não deve ser forçada a nada. Então, na verdade, as reações raivosas quando o assunto é sexo, são reações de medo. Medo porque não querem ter os privilégios de macho perdidos ou simplesmente ameaçados quando falarem de sexo. "Ah, mas tem mulher que também é contra as aulas de educação sexual", quanto a estas, eu digo que as mesmas reproduzem o machismo. Vale destacar também que é por meio da educação sexual que a pessoa sabe que pode sentir prazer com outra pessoa do mesmo sexo e que o ato sexual não é necessariamente quando um pênis e uma vagina se unem. As pessoas não podem saber disso porque isso significa o fim da estrutura patriarcal e a consequente perda de privilégios de muitos homens.

Em 2015, padres da Igreja Ortodoxa Russa causaram polêmica no mundo todo ao lançarem um calendário onde aparecem seminus. A relação entre Igreja e sexo historicamente não é das mais amigáveis. Imagem: Reprodução. 

     A Igreja (entende-se neste texto como "Igreja" o catolicismo e os diversos ramos do cristianismo protestante) é uma das responsáveis pela demonização do sexo, mas não é a única porque a questão não é só a Igreja: ela reproduz o patriarcado existente na sociedade. Historicamente, a Igreja demoniza o sexo. Houve uma época em que ela controlava até a vida sexual dos fiéis. Penetração peniana em outro local que não fosse a vagina era pecado, a mulher ficar por cima do homem na hora do ato sexual era pecado (era um sinal de insubmissão) e "posições animalescas" também eram proibidas. Só era aceita a posição papai e mamãe e somente para fins de reprodução. O prazer era proibido. Não pensem que tudo isso foi totalmente superado. Ainda hoje, falar de sexo nas Igrejas gera polêmicas mundo afora. E em encontro de casais organizados por Igrejas podem reparar uma coisa: as perguntas mais recorrentes são relacionadas ao sexo anal e ao sexo oral. As opiniões sobre este assunto não são unânimes.
     A demonização do sexo por parte da Igreja é algo no mínimo contraditório. Se a pessoa crê que Deus é o criador de todas as coisas, inclusive do ser humano, por que demonizar algo que Deus criou? Deus criou o homem e a mulher, bem como todas as funções do ser humano. Logo, não é difícil concluir que os órgãos sexuais e a prática do sexo é algo criado por Deus. Com isto, não tem sentido demonizar algo criado por Deus. A sexualidade é uma benção divina! Para quem acredita, é claro.
     Normalmente, as crianças começam a ter aulas de educação sexual por volta da quinta e/ou sexta série (antigo quarto e quinto ano respectivamente). Entretanto, eu já ouvi gente dizendo que o ideal é a pessoa ter aulas de educação sexual quando a mesma atingir os 18 anos de idade. Para quê? Vai ter aulas sobre sexo depois de já ter feito tudo ou quase tudo? Vamos ser francos. Todos que estão lendo este texto é ou já foi adolescente um dia. Então, me responda: quando deu o primeiro beijo? Na adolescência. Qual a lembrança mais clara de ter ficado excitado ao ver uma pessoa bonita? Na adolescência. Quando começou a namorar pela primeira vez? Na adolescência. Quando perdeu a virgindade? Na adolescência. Eu sei que toda regra tem sua exceção e, por conta disso, muitos talvez não tenham feito tais coisas na adolescência. Digo por mim: eu nunca comprei uma revista de nudez, mas eu vi várias porque nos tempos de colégio sempre tinha uma alma vivente que levava revistas de mulher pelada e pornográficas para a escola e mostrava para Deus e o mundo. Diante de todas estas evidências, o ideal é ter aulas de educação sexual na adolescência, quando a pessoa está descobrindo a sua sexualidade, certo? É como diz o ditado: "é melhor prevenir do que remediar".
     Ao contrário do que muita gente pensa e até usa isso como argumento, a educação sexual não vai incentivar a criança a fazer sexo, muito pelo contrário: a educação sexual serve justamente para prevenir algumas consequências do sexo, como uma DST (Doença Sexualmente Transmissível) e/ou uma gravidez precoce por exemplo. Me lembro que as primeiras aulas de educação sexual que tive foi quando estava na antiga quarta série. Eu deveria ter uns 10 e/ou 11 anos de idade. Este fato não fez com que eu desse "igual chuchu na serra", muito pelo contrário. Graças a esta e outras aulas de educação sexual que tive posteriormente, eu aprendi a me conhecer e a saber o que eu quero. Com a minha irmã também não foi muito diferente. Quando ela tinha uns 11 anos de idade, ela já sabia de "onde vem os bebês". Este fato não a fez transar com Deus e o mundo. Hoje ela é formada, tem 31 anos e não pensa em filhos no momento.

Ilustração mostrando a suposta finalidade da "ideologia de gênero". Imagem: Reprodução. 

     Os estudos de gênero ganharam há um tempo no país a denominação pejorativa de "ideologia de gênero". É um nome dado pelos conservadores e demais pessoas que são contrárias aos estudos acerca da sexualidade humana. O modo como eles falam dão a entender que há uma luta conjunta do governo com setores da sociedade civil para incutir uma determinada sexualidade nas crianças e nos adolescentes, mostrando aos mesmos que ser heterossexual não é normal e que a moda é ser homossexual ou viver qualquer outra identidade sexual que não esteja encaixada no binômio homem e mulher. Na verdade, a "ideologia de gênero" não quer fazer nada disso: a finalidade é mostrar que existe uma infinidade de sexualidades para além do homem e mulher, além de mostrar quais são os sistemas reprodutores masculino e feminino. Com tais informações, a pessoa cresce aprendendo a respeitar as diferenças, combatendo desta forma o machismo e a homofobia.
     Aqueles que são contra a "ideologia de gênero" defendem um ensino "neutro", onde assuntos relacionados a sexualidade devem ser abordados pela família. A questão é que a neutralidade não existe no ensino e nem em lugar nenhum. É como diz o filósofo Paulo Freire (1921-1997): "Não existe imparcialidade. Todos são orientados por uma base ideológica. A questão é: sua base ideológica é inclusiva ou excludente?" Os que são contra a "ideologia de gênero" na verdade são contra tudo aquilo que vai além do binômio homem e mulher. Eles só aceitam ensinamentos que reforcem a heterossexualidade e nada além da heterossexualidade. A "ideologia de gênero" coloca em xeque a manutenção do patriarcado e os que são contra a mesma querem a permanência do status quo.

Conclusão

     Falar em sexo ainda é uma atitude polêmica porque historicamente se é ensinado a não falar e também é ensinado a demonizar o mesmo. Além disso, falar de sexo, querendo ou não, abala as estruturas do patriarcado. Isso porque é por meio da educação sexual que a mulher conhece o seu corpo, aprende a se cuidar e aprende também que quando ela não quer sexo, ela não deve ser forçada a tal. Além disso, é também por meio da educação sexual que a pessoa aprende que ela pode ser homossexual, heterossexual, bissexual ou qualquer outra sexualidade. Tudo isso é uma ameça ao patriarcado, que tem no sexo um de seus pilares. 

28/11/2017

O empoderamento das minorias em Grey's Anatomy

Imagem de divulgação da série. Imagem: Reprodução. 

     Grey's Anatomy é uma série que desde 2005 conquista anualmente fãs em todo o mundo que se envolvem com os dramas de médicos que estão fazendo a residência em um hospital dos EUA. Uma das muitas coisas que chamam a atenção nesta série é o fato de as minorias serem constantemente bem representadas no seriado em questão.

Elenco principal da primeira temporada de Grey's Anatomy (2005-atualmente). A medida que as temporadas avançam, parte do mesmo deixa a série e novos atores chegam para agitar a trama. Imagem: Reprodução. 

     Criada por Shonda Rhimes, Grey's Anatomy (2005-atualmente) é uma série que conta os dramas de estudantes de Medicina que estão prestes a se formar e vão fazer a residência médica no Seattle Grace Hospital (que depois é batizado de Grey Sloan Memorial Hospital em homenagem ao casal de médicos Lexie Gray e Marc Sloan, que morrem em após um acidente de avião). São médicos com personalidades distintas e ambições também distintas. Cristina Yang (Sandra Oh) é uma médica brilhante que faz da Medicina o grande amor da sua vida, Izzie Stevens (Katherine Heigle) é uma bela jovem que fazia trabalhos como modelo para pagar a faculdade. Era excessivamente sentimental (ao contrário da Yang, que era excessivamente seca), sempre se envolvendo demais com o drama dos pacientes, chegando a se apaixonar pelo paciente Denny Duquette (Jeffrey Dean Morgan), que precisava de um transplante de coração. Em um ato extremo, Izzie chega a cortar um fio que fazia o coração do amado bater somente para ele ficar no topo da lista de transplantes. Já George O'Malley (T.R. Knight) é um rapaz de bom coração e apaixonado por Meredith Grey (Ellen Pompeo). Alex Karev (Justin Chambers) é um médico que só sabe falar e fazer besteiras na maior parte do tempo, mas que na verdade é um doce de pessoa. E, por fim, Meredith Grey (Ellen Pompeo), a protagonista da série que leva seu nome. Meredith é uma médica filha da renomada médica Ellis Grey (Kate Burton) e, por conta disso, sofre pressão constante por ser filha de quem é.

Ellen Pompeo como Meredith Grey em Grey's Anatomy. A foto é de uma cena de um episódio da série que ficou conhecido como "episódio da bomba", onde um paciente tinha uma bomba dentro do corpo que poderia explodir a qualquer momento. Imagem: EW

     Grey's Anatomy é uma série recheada de dramas, tal como em uma novela mexicana (talvez até pior). Shonda Rhimes "pesa a mão" na hora de escrever a série. Meredith Grey que o diga. A moça foi rejeitada por um médico por quem estava apaixonada quando o mesmo decidiu reatar um casamento com uma médica brilhante que o tinha traído com o melhor amigo. A coitada ficou despedaçada e se tornou assunto no hospital onde fazia a residência. A mãe sofria de Mal de Alzheimer e às vezes não reconhecia nem a própria filha. Meredith também operou um homem que tinha uma bomba dentro do corpo que poderia explodir a qualquer momento. Se a mesma explodisse, todos virariam pedacinhos literalmente (e foi isso o que aconteceu, mas Meredith distante. Entretanto, com o impacto, a jovem médica foi arremessada para bem longe). Os médicos estavam em um avião e o mesmo cai. Dentre os mortos, estavam a médica Lexie Grey (Chyler Leigh), a meia-irmã de Grey, e Drº. Sloan (Eric Dane), cunhado de Grey. A sequência é dramática e até hoje lembrada. E o que falar das vezes em que Meredith quase morre ao dar a luz? Na primeira vez, a energia do hospital cai e ela entra em trabalho de parto e na segunda vez, ela quase morre ao dar a luz. Mas talvez o momento mais dramático é quando Derek Shepherd (Patrick Dempsey) tem morte cerebral. Muitos fãs da série ainda não superaram a mesma. Além da protagonista, os coadjuvantes também já viveram dramas até hoje lembrados, mas não vou falar deles. Vou deixar para você mesmo assistir quando for ver a série. Se quiser assistir, é claro.

Kate Walsh como a Drª. Addison Montgomery em Grey's Anatomy. Créditos na imagem. 

     Além dos dramalhões, há um outro fato que chama a atenção em Grey's Anatomy: o modo como as mulheres e os negros são representados no seriado. Na série escrita por Shonda Rhimes, as mulheres e os negros não estão representados da forma pejorativa como costumamos ver na maioria dos filmes e novelas. Na série em questão, eles são médicos responsáveis e renomados. A Drª. Addison Montgomery (quando era casada com o Drº. Derek, usava o sobrenome Montgomery-Shepeard) é uma excelente cirurgiã neonatal, perinatologista, obstetra, ginecologista e especialista em genética médica. Ela vai trabalhar no Seattle Grace Hospital na tentativa de reatar seu casamento com Derek depois de ter traído o mesmo com o sedutor Drº. Sloan (Eric Dane), melhor amigo de Derek e que no decorrer da trama se envolve com a meia-irmã de Meredith. O médico Richard Webber (James Pickens Jr.), chefe do Seattle Grace Hospital, levando em consideração o fato de Addison ser uma médica super competente e renomada, resolve contratá-la por um dos melhores salários dos EUA. Já a Drª. Bailey (Chandra Wilson) é uma médica negra. Pelo fato de ser rígida no trabalho, ela é chamada de "Nazi". Entretanto, com o passar do tempo, ela  se mostra uma médica maternal, preocupada com os pacientes, com os internos e sempre os defendendo quando necessário. Já a médica Cristina Yang é uma mulher que tem na Medicina a sua razão de viver. Sua inteligência e competência a tornam uma médica promissora. Já a mãe de Meredith, Ellis Grey, é uma médica renomada que fez história na Medicina. As mulheres aqui citadas e algumas outras até vivem dilemas relacionadas à maternidade e à vida sentimental, mas este não é o foco da série. Não é como as novelas brasileiras, que são femininas, mas não necessariamente feministas. Ou seja: até existem mulheres empoderadas, mas rotineiramente reproduzem o machismo. Grey's Anatomy definitivamente não é assim.

James Pickens Jr. como o Drº.  Richard Webber em Grey's Anatomy. Imagem: Reprodução. 

     Além da boa representatividade feminina, os negros também estão muito bem representados em Grey's Anatomy. Além da já citada Drª. Miranda Bailey (Chandra Wilson), há também o Drº. Richard Webber (James Pickens Jr.). O médico é o chefe do Seattle Grace Hospital, onde acontece  a maioria das histórias de Grey's Anatomy se desenrolam. Bem no começo da série (confesso que não me lembro se foi na primeira ou na segunda temporada), o médico tem um grave problema de saúde e apresenta dificuldades para enxergar. Drº. Webber necessita se ausentar e o mesmo chama o Drº. Burke (Isaiah Washington), que é negro, para substituí-lo temporariamente. O médico Preston Burke é um cirurgião cardiotorácico que concluiu os estudos na Universidade de Tulane. Foi o ex-cirurgião cardiotorácico principal do Seattle Grace Hospital. Destaque também para o médico negro Jackson Avery (Jesse Williams), que é neto de Harper Avery, um dos mais famosos médicos dos EUA e o homônimo do prestigiado prêmio Harper Avery. Os personagens negros e femininos aqui citados são apenas alguns exemplos do modo como Shonda Rhimes os representa. Ao longo da série, vários outros personagens negros e do sexo feminino surgem e possuem um perfil similar ao dos personagens aqui citados.

Shonda Rhimes (de vermelho) ao lado de suas protagonistas, a saber: Ellen Pompeo (a Meredith Grey de Grey's Anatomy, à esquerda de Shonda), Kerry Washington (a Olivia Pope de Scandal, que está à direita de Shonda) e Viola Davis (a Annalise Keating de How to Get Away with Murder, que está à direita de Kerry). Imagem: Reprodução. 

     Não é apenas em Grey's Anatomy que os negros e mulheres estão bem representados. Shonda Rhimes, a autora da série em questão, costuma colocar personagens negros e femininos como pessoas empoderadas e em posição de destaque na sociedade. Olivia Pope (Kerry Washington) é a protagonista de Scandal (2012-atualmente). Ela é uma mulher que trabalhou na Casa Branca, símbolo máximo da política dos EUA, e que fundou sua própria empresa de gerenciamento de crises. Já Viola Davis dá vida a Annalise Keating em How to Get Away with Murder (2014-atualmente). Annalise é uma proeminente advogada que atua no ramo da defesa criminal e é professora de Direito na Universidade de Middleton na Filadélfia, EUA.
      Os trabalhos de Shonda Rhimes, bem como o de suas atrizes protagonistas já renderam prêmios importantes. Veja só: Ellen Pompeu já ganhou um Globo de Ouro e um People's Choice Awards por seu personagens em Grey's Anatomy. Por sua vez, Kerry Washington já foi indicada uma vez ao Globo de Ouro em 2014 por sua protagonista em Scandal. E o que falar de Viola Davis? a Annalise de How to Get Away with Murder lhe rendeu o Emmy na categoria Melhor Atriz em Série Dramática no ano de 2015, sendo a primeira atriz negra a ganhar tal prêmio. O papel de Annalise também rendeu a Viola duas indicações ao Globo de Ouro na categoria Melhor Atriz em Série Dramática. Lembrando que Viola Davis é a primeira atriz negra a obter a "Tríplice Coroa de Atuação" (em inglês: "Triple Crown of Acting"), termo utilizado para descrever os atores que foram premiados com os principais prêmios de atuação dos três diferentes veículos da mídia: cinema, teatro e televisão, respectivamente com o Oscar, Tony e Emmy. Ganhar os três prêmios em questão não é tarefa fácil e muitos atores excelentes e respeitados ainda não conseguiram tal façanha. Shonda Rhimes por sua vez, a criadora das personagens aqui já citadas, já ganhou um GLAAD Media Awards em 2012 e um Emmy Internacional em 2016 por conta do seriado Grey's Anatomy.

Conclusão

     Grey's Anatomy é um seriado onde as minorias são representadas de forma positiva, ao contrário do que é visto em muitas produções cinematográficas e televisivas. Graças a este trabalho, Shonda Rhimes e os atores que atuam (ou atuaram) nas séries por ela criada já ganharam importantes prêmios, contribuindo para a diversidade e a  representatividade, abrindo as portas para outros atores negros e/ou do  sexo feminino. 

23/11/2017

Série que recomendo: The Kennedys (2011)

O elenco principal de The Kennedys (2011). Da esquerda para a direita: Robert F. Kennedy (Barry Pepper), Ethel Kennedy (Kristin Booth), John F. Kennedy (Greg Kinnear), Jacqueline Kennedy Onassis (Katie Holmes), Joseph P. Kennedy (Tom Wilkinson) e Rose Kennedy (Diana Hardcastle). Imagem: Reprodução. 

     No dia 21 de novembro deste ano eu assisti ao último episódio da série The Kennedys (2011) e é sobre a mesma que eu vou escrever aqui hoje. É uma ótima alternativa para quem gosta de estudar a história dos Estados Unidos e também sobre a família Kennedy, que embora não tenha a influência política e econômica de outrora, possui muitos descendentes vivos.

Cartas de divulgação da série The Kennedys (2011). Imagem: Reprodução. 

     Eu tenho uma lista onde estão listadas as séries que quero assistir. Havia acabado de assistir Gigantes do Brasil (2016) e queria assistir outra série. Como eu sei que as séries que quero assistir não estão sendo exibidas na TV aberta e nem na TV por assinatura, eu comecei a pesquisar em qual site poderia assistir as mesmas gratuitamente. Para minha alegria, encontrei a série The Kennedys (2011) completa  no Youtube e ainda por cima com legendas em português! O canal Cine Filmes Nostalgia foi o responsável por tamanha caridade.

Charlotte Sullivan como Marilyn Monroe em The Kennedys (2011). Imagem: Reprodução. 

     Joseph P. Kennedy (1888-1969) teve nove filhos, mas a série em questão foca apenas em John F. Kennedy (1917-1963) e Robert F. Kennedy (1925-1968). Joseph P. Kennedy Jr. (1915-1944) aparece na série, mas logo sai de cena, assim como Rosemary Kennedy (1918-2005), que tinha transtornos mentais e após passar por uma lobotomia, fica sem falar, sem andar e passa o resto da vida em um hospital psiquiátrico. Na série, Joseph P. Kennedy (Tom Wilkinson) é mostrado como um patriarca controlador e que se preocupa com a reputação da família. Ele é o cérebro por trás de toda a família, sempre engenhoso e vitorioso em quase tudo que faz na esfera política. Queria ser presidente dos EUA, mas não conseguiu realizar este sonho e procurou se realizar nos filhos. Joseph P. Kennedy Jr. (Gabriel Horgan) é mostrado como o filho perfeito (fato que deixava os demais inseguros) e que parecia capaz de chegar à presidência dos EUA. Entretanto, sua morte acaba mudando os planos.
     Com a morte de Joseph P. Kennedy Jr., as expectativas de chegar ao cargo mais alto da política norte-americana cai sobre John F. Kennedy (1917-1963). Greg Kinnear é idêntico ao John F. Kennedy e na série ele ainda está mais parecido com o ex-presidente em questão. Isso sem contar que ele é um ótimo ator e está muito bem no papel que foi incumbido de interpretar. Katie Holmes está super parecida com Jacqueline Kennedy Onassis (1929-1995). Ela foi criticada pelo fato de interpretar uma Jacqueline sem brilho. Entretanto, retratar Jacqueline desta forma foi proposital porque o objetivo foi mostrar uma primeira-dama despreparada para o jogo político da Casa Branca. Como tudo mundo sabe, John F. Kennedy (1917-1963) teve inúmeras amantes e isso é mostrado na série, só não é focado. Jacqueline Kennedy Onassis (1929-1995) sabia das traições do marido, mas fingia não saber de nada. Não a julguem, pois é preciso entender o lado dela: uma mulher de família tradicional e conservadora, casada com um homem cuja família era católica e bastante influente nos EUA. Tal homem havia chegado à presidência dos EUA e ela precisava representar muito bem a sua função de primeira-dama. Desta forma, ela era presa a inúmeras convenções sociais e tudo que ela fazia tinha uma repercussão ainda maior, ao contrário do que acontecia com outras mulheres que não ocupavam a mesma posição que ela. Pode e não foi a única, mas com certeza Marilyn Monroe (1926-1962, interpretada por Charlotte Sullivan na série) foi a amante mais conhecida de John F. Kennedy (1917-1963). Na série, ela é mostrada como uma mulher de apetite sexual irrefreável, dando em cima até de Robert F. Kennedy (Barry Pepper), que era casado. A cena épica onde Marilyn Monroe (1926-1962) canta Happy Birthday to You para John F. Kennedy até foi gravada pelos atores, mas infelizmente foi cortada na edição final. Os responsáveis afirmaram que a cena não tinha muita relação com o restante da história. A morte de Marilyn é mostrada na série e até hoje ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Na série, boatos tentam culpar John F. Kennedy pela morte de Marilyn. Tais boatos diziam que eles eram amantes (o que não é mentira) e que Marilyn poderia atrapalhar a carreira política de John. E justamente por isso que era preciso tirá-la do caminho. Até hoje há quem acredita que os Kennedys são os responsáveis pela morte de Marilyn Monroe.

Comparação entre o Robert F. Kennedy da vida real (à esquerda) e o Robert F. Kennedy interpretado por Barry Pepper em The Kennedys (2011) (à direita). Muito parecidos? Imagem: Reprodução. 

     Outro protagonista de The Kennedys (2011) é o Robert F. Kennedy (Barry Pepper). Durante o governo Kennedy (1960-1963), foi o Procurador Geral dos Estados Unidos. Na série, ele é mostrado como alguém inseguro, sem muita capacidade para o cargo a qual foi designado e que está sempre a sombra do irmão e/ou do pai. Aliás, é Robert quem "limpa a barra" do presidente Kennedy muitas vezes, principalmente quando o mesmo comete as suas muitas "puladas de cerca". Apesar dos problemas que vez ou outra afetam a vida do casal, Robert é também mostrado como um homem fiel e apaixonado pela esposa Ethel Kennedy (Kristin Booth) e amoroso com os numerosos filhos (ele teve onze filhos e quando foi assassinado, a esposa estava a espera do 11º bebê).

O presidente Kennedy, a primeira-dama Jacqueline Kennedy Onassis e o então governador do Texas John Connally (1917-1993) na limousine presidencial, minutos antes do assassinato de Kennedy. Imagem: Reprodução. 

     Com relação à morte de John F. Kennedy, a série mostra como as coisas foram feitas segundo as investigações. Porém, a mesma não adota uma versão com relação ao assassinato de Kennedy. Ao invés disso, a série mostra as várias razões que teriam motivado o assassinato do então presidente dos EUA. Coisa semelhante é feita com relação ao assassinato de Robert F. Kennedy, em 1968. Ele era senador e tinha tudo para ser mais um Kennedy a chegar à presidência dos EUA. O que motivos os assassinatos em questão? Adversários políticos que temiam ser vencidos por eles? Um suposto envolvimento com a máfia? Foram os mafiosos insatisfeitos com o combate à máfia executado Robert F. Kennedy que o mataram? Será que a razão foi o fato de John e principalmente Robert F. Kennedy estarem dispostos a combater a discriminação racial nos EUA? São perguntas que jamais saberemos a resposta. Em The Kennedys (2011), Robert F. Kennedy se sente culpado pela morte do irmão, uma vez que combateu os mafiosos, possíveis responsáveis pelo assassinato de John F. Kennedy. Em uma tentativa de se redimir da culpa que sente, Robert F. Kennedy passa a cuidar da segurança de Jacqueline e de seus filhos. A série mostra um carinho muito grande entre ambos, levando alguns espectadores a interpretarem de outra forma. Eu não sabia, mas pesquisando para escrever esse texto, eu soube que produziram a série The Kennedys After Camelot (2017). A mesma é uma continuação da série de 2011 e é baseada no livro Jackie, Ethel and Joan: Women of Camelot (2000), de J. Randy Tarraborelli. Na série em questão, Katie Holmes retoma o papel de Jacqueline Kennedy Onassis, ao passo Matthew Perry interpreta Ted Kennedy (1932-2009). Já Alexander Siddig interpreta Aristóteles Onassis (1906-1975) e Kristen Hager interpreta Joan Bennett Kennedy.

Conclusão

     The Kennedys (2011) é uma série bem escrita, bem dirigida e com um bom elenco. Destaque para as sequências que narram a Invasão da Baia dos Porcos (1961) e a Crise dos Mísseis (1962), onde os diretores e atores levam o telespectador a sentir a tensão que tais eventos causaram. Por conta do formato narrado para a série, nem tudo o que está ali aconteceu de fato. Entretanto, isso não tira o mérito da série em questão, que eu recomendo para quem gosta de História e quer saber mais sobre a história dos EUA e da própria família Kennedy que, mesmo não tendo a influência política e econômica de outrora, possuem uma tradição que ainda hoje desperta a curiosidade de muita gente. 
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