20/06/2017

10 mulheres pregadoras da Assembleia de Deus

Imagem: Reprodução.

     A Assembleia de Deus é uma igreja pentecostal que no último dia 18 de junho completou 106 anos de sua existência em terras brasileiras. Eles acreditam na atualidade do Batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais, além de possuírem rígidos modos de vida. 
      A Assembleia de Deus é conhecida por ser uma igreja machista. É uma igreja feminina, mas machista. Feminina porque o número de assembleianas é maior que o de assembleianos e machista porque quem tem a palavra final são os homens. Estes mesmos homens limitam ao máximo o ministério feminino. A mulher assembleiana só pode liderar conjunto infantil, dar aulas bíblicas para crianças, limpar a igreja, cuidar da cantina, cuidar da obra social e dirigir os cultos de oração. Esta organização é rígida, mas não inquebrável. A lista que segue abaixo traz o nome de dez mulheres pregadoras da Assembleia de Deus que atuaram em diferentes épocas e seus respectivos currículos. Intencionalmente ou não, o fato é que estas mulheres desafiaram a lógica machista assembleiana. Confira: 

1 - Frida Vingren:


Frida Vingren ao laodo do esposo Gunnar Vingren. O marido de Frida era a favor do ministério feminino. Imagem: Reprodução. 

     É no mínimo inadmissível falar de ministério feminino nas Assembleias de Deus no Brasil e não falar em Frida Vingren. Frida era casada com Gunnar Vingren, um dos fundadores da Assembleia de Deus no Brasil. Frida nasceu na Suécia, onde fez curso universitário em Enfermagem e chegou a ser chefe da enfermaria no hospital onde trabalhou. Frida se dedicou também a fotografia. Seus pais eram crentes luteranos e foi neste ambiente que a futura senhora Vingren cresceu. Mais tarde, se tornou membro da Igreja Filadélfia de Estocolmo, recebendo posteriormente o batismo no Espírito Santo e o dom de profecia. Frida Vingren fez um curso bíblico de oito meses no Instituto Bíblico no país de origem. 
     Já casada com Gunnar Vingren e mãe de vários filhos, alugaram uma casa em São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, onde foi inaugurado o primeiro salão de cultos da Assembleia de Deus do Rio de Janeiro. Junto ao marido, Frida desenvolveu intensas atividades evangelísticas, abrindo frentes de trabalho em vários lugares. O trabalho social da igreja, a direção dos grupos de oração, a visitação e a evangelização ficaram sob a responsabilidade de Frida. Além disso, Frida dirigia a escola bíblica e nos cultos fazia a leitura bíblica inicial. Tocava órgãos, violão e cantava hinos. Substituía o marido na direção dos cultos quando este fazia uma viagem ao campo missionário ou por causa das enfermidades que o mesmo teve ao logo da vida. Foi também dirigente oficial dos cultos na Casa de Detenção, além de pregar nas praças e jardins da cidade do Rio de Janeiro. 
      Frida colaborou para os jornais Boa Semente, O Som Alegre e Mensageiro da Paz. Foi também comentarista das Lições Bíblicas da Escola Dominical na década de 1930. Na Harpa Cristã, há 24 hinos cuja autora é Frida Vingren (16 versões e 8 autorias). Hoje, devido às releituras da História, Frida Vingren é reconhecida como a primeira mulher a pastorear uma Assembleia de Deus no Brasil.

2 - Emília Costa:


Emília Costa (a mulher negra e alta em pé na última fileira) foi consagrada diaconisa por Gunnar Vingren. Imagem: Reprodução. 

     Provavelmente, a separação de Emília Costa para o diaconato pode ter sido influenciada pelo ministério de Frida Vingren. Quem executou tal tarefa foi Gunnar Vingren. Na época, Emília era membro da Assembleia de Deus do Rio de Janeiro, onde o casal Vingren eram os líderes. Emília foi a única a ocupar este cargo na igreja. Ela era ativa na evangelização, além de trabalhar realizando cultos nas cadeias da cidade do Rio de Janeiro. Na Convenção Geral das Assembleias de Deus de 1933, realizada na AD do Rio de Janeiro, Emília é a única mulher brasileira que aparece na foto oficial, provavelmente por ser reconhecida como uma obreira da igreja e por ter frequentado o evento. 

3 - Élida Andrioli Vieira:


Élida ao lado do esposo. O casal é pioneiro na Assembleia de Deus catarinense. Imagem: Reprodução. 

     Élida Andrioli Vieira é uma das primeiras crentes da Assembleia de Deus do estado de Santa Catarina. Em relato ao Mensageiro da Paz no ano de 1933, a jovem conta como se deu sua conversão. Segundo seu relato, viveu 22 anos de sua vida apenas ouvindo falar de Jesus, até que um dia ouviu André Bernardino da Silva, fundador da Assembleia de Deus catarinense, pregando acerca da doutrina pentecostal. Impressionada com as pregações, Élida se converteu ao evangelho e passou a colaborar com o crescimento da AD na região litorânea de Santa Catarina. Segundo Paulo Vieira Marques, filho de Élida, a mãe era uma jovem comunicativa, destacada e dinâmica nas atividades da igreja. Por essas qualidades, Gunnar Vingren a separou para o diaconato. 
      Quanto a atuação da jovem Élida, o próprio fundador da AD em Santa Catarina dá um relato no jornal Mensageiro da Paz sobre o assunto. André Bernardino conta que esteve 15 dias em Ilhota com um grupo de crentes. Neste período, houve batismos com o Espírito Santo e um batismo em águas realizado por André logo após esse período. Com base nas informações dadas pelo pioneiro, percebe-se que Élida foi a responsável pela pregação, discipulado e orientação dos novos convertidos. Bernardino relata em certo momento que, após voltar para casa depois de um batismo em Ilhota, adoeceu ao voltar para casa, não podendo atender a Escola Dominical em Itajaí, "mas a irmã Élida foi em meu lugar". Esta fala revela a importância e a responsabilidade da jovem obreira. Provavelmente, existiam obreiros do sexo masculino, mas a importância e a confiança depositada em Élida são evidentes. Ao longo da vida, Élida continuou trabalhando dentro da AD durante toda a sua vida e faleceu aos 82 anos de idade. 

Obs.: se vocês leram bem até aqui, perceberam que as mulheres até aqui citadas tiveram seus ministérios incentivados por Gunnar Vingren. O missionário sueco era amplamente a favor do ministério feminino, além de ser também favorável ao ensino teológico formal. Entretanto, nas convenções da Assembleia de Deus ele e a esposa foram voto vencido na maioria das propostas que sugeriram. Além disso, os problemas de saúde que Gunnar adquiriu o impediram de continuar a frente da Assembleia de Deus no Brasil. Desta forma, se conclui que se Gunnar Vingren tivesse liderado a Assembleia de Deus por mais tempo, ela não seria o que conhecemos hoje.

4 - Ester Ungur:


Ester (à esquerda), a mãe Milda, o pastor Ungur e a irmã Dulci. Imagem: Reprodução.

      Ester tem um airmã mais nova e é filha de pais assembleianos. Começou a tocar bandolim aos 11 anos de idade e aos 15 era a professora da classe infantil da Escola Bíblica Dominical. Quando o pai pastoreou uma igreja em Mafra, ela trabalhou nas Casas Pernambucanas para ajudar na renda familiar. Era uma época em que, dependendo da igreja, o salário mal dava para as despesas domésticas.
      Ainda em Mafra, a primogênita dos Ungur começou a desenvolver peças teatrais, jograis e apresentações. Certa feita, ao ministrar um estudo bíblico na cidade de Francisco Beltrão (sudoeste do Paraná), o pastor João se sentiu mal e Ester, que conhecia o assunto muito bem, continuou com a preleção iniciada pelo pai. Tomou gosto pela coisa e com o aval do pai, começou a pregar e ensinar. Além disso, Ester liderou a juventude da Assembleia de Deus em Florianópolis, foi regente do Coral Esperança e Vozes de Sião. Foi sob a organização de Ester que ocorreu o segundo congresso de jovens em Santa Catarina, capital, no dia 01 de março de 1968. Mesmo com a jubilação de João Ungur e a sua morte em 1971, Ester continuou seu ministério de pregadora e ensinadora da Palavra de Deus. Tanto Ester quando a irmã Dulci nunca se casaram. Elas afirmam que tal decisão foi em obediência a Deus, pois muito antes de nascerem foram apresentadas ao Senhor. Atualmente, as irmãs moram em um simples apartamento de 90 metros quadrados em São José (Santa Catarina). O imóvel foi comprado graças a uma herança dos avós e alguns recursos economizados durante muito tempo.

5 - Irmã Estalícia (Stanislava  Budkowski):


Estalícia ao lado do esposo Manoel: atuação intensa dentro da Assembleia de Deus. Imagem: Reprodução. 

      Stanislava Budkowski, ou simplesmente irmã Estalícia (1885-1967) é um dos principais nomes do ministério feminino das Assembleias de Deus no Brasil em seus primeiros anos. Estalícia nasceu em Varsóvia, capital da Polônia, em 1885. As guerras na região levaram a família de Estalícia a sair do país de origem e migrar para o Brasil. Posteriormente, a família e a jovem se mudaram para Portugal por conta das enfermidades adquiridas pelo pai. De volta ao Brasil, ainda muito nova, a jovem se casou com o militar Manoel Inácio de Araújo. O casal passou por alguns estados e fixaram residência no Rio de Janeiro. No então Distrito Federal, após experimentar uma cura divina, Estalícia começou a frequentar a Igreja Batista. Conheceu a doutrina pentecostal na Assembleia de Deus em Marechal Hermes (RJ) e posteriormente Estalícia e o marido passaram a ser membros da Assembleia de Deus em Madureira, cujo pastor era Paulo Leivas Macalão. 
      O ministério de Estalícia foi marcado por revelações e curas, além de pregar em cultos, cruzadas evangelísticas e fazer parte da comitiva de obreiros liderada por Macalão em visita  às igrejas de Madureira no interior do Brasil. A atuação de Estalícia releva uma lado não muito conhecido de Paulo Leivas Macalão, então  líder da Assembleia de Deus em Madureira: o apoio ao ministério feminino. 

6 - Helena Raquel:


Helena Raquel é uma pregadora brasileira bastante conhecida. Imagem: Reprodução Facebook

      Helena Raquel é uma pregadora assembleiana conhecida em todo o país. É bacharel em Teologia, graduada pela Faculdade Evangélica das Assembleias de Deus (FAECAD) e pastora da Assembleia de Deus em Vila Pacaembu (ADVIP). É uma das poucas mulheres que pregaram nos Gideões Missionários da Última Hora (GMUH), o maior evento missionário do mundo que é realizado anualmente em Camboriú, Santa Catarina.

7 - Camila Barros:


Assim como a cunhada Helena Raquel, Camila Barros é uma pregadora bastante popular no país. Imagem: Reprodução. 

      Casada com o pastor Eduardo Gonçalves, irmão da renomada pregadora Helena Raquel (de quem já falamos acima), Camila Barros é uma pregadora que é membro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC). Camila é uma jovem pregadora que é uma referência no mundo pentecostal da atualidade, em especial para muitas mulheres. Assembleiana tradicional, as mensagens de Camila costumam ser enérgicas e cheias de autoridade. Ela tem milhares de seguidores nas redes sociais e seus vídeos também possuem milhares de visualizações. 

8 - Andréa Nogueira dos Santos:


Andréa é uma pregadora com um vasto curriculo. Imagem: Reprodução

      Andréa Nogueira dos Santos nasceu em Anápolis, mas foi criada em Goianápolis, ambos municípios brasileiros do estado de Goiás. Filha de lavradores, cresceu cooperando nas congregações rurais  da Assembleia de Deus ligada ao ministério de Anápolis. Na infância, gostava de ser a pregadora nos cultos infantis. Um tempo depois, começou a cantar na igreja fazendo dueto com a irmã Adriana. Na igreja, cantava com o marido e cooperava nos cultos e festividades. Em casa, estudava a Bíblia e procurava ler bons livros. Percebendo o esforço de Andréa, o pastor da igreja onde congregava começou a dar oportunidades para a moça pregar.
      No ano de 2002, Andréa, o esposo e o filho foram para Joinville, Santa Catarina. Na cidade catarinense, começou a fazer o curso de bacharel em Teologia na faculdade Refidim, onde era uma das únicas mulheres da classe. Estudava no período da manhã e à tarde voltava para estudar. Contratada pela Refidim, Andréa desenvolveu algumas funções até chegar a função de secretária. Concluiu o bacharelado em Teologia, cursou Secretariado-executivo e fez pó-graduação em Aconselhamento Cristão. Atualmente, leciona na própria faculdade, onde também é coordenadora de cursos. Em setembro de 2016, estava concluindo o mestrado em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), no Rio Grande do Sul. Além disso, Andréa exerce o ministério de louvor com a família e é uma pregadora bastante requisitada, sendo uma excelente oradora e de forte presença no púlpito. Atualmente, André se dedica ao projeto Bíblia Mais. A finalidade dos vídeos postados regularmente com mensagens curtas e objetivas é abordar temas teológicos de forma acessível ao grande público.

9 - Aparecida Borges: 


Aparecida Borges é uma exímia pregadora. Imagem: Reprodução. 

      Aparecida Borges exerce o ofício da pregação há mais de 25 anos. Costuma pregar em congressos e grandes eventos evangélicos. Já pregou em várias regiões do Brasil e até no exterior. É uma das poucas mulheres a pregar nos Gideões Missionários da Última Hora (GMUH). Ao que tudo indica, Aparecida Borges não tem contas em redes sociais. Entretanto, há um canal no Youtube, que até a finalização deste texto já possuía mais de 470.000 visualizações, que tem o objetivo de lançar na rede vídeos com as pregações de Aparecida. A agenda de Aparecida Borges é organizada pela filha Kássia Borges.

10 - Isa Reis:


Os vídeos de Isa Reis nas redes sociais costumam ter milhões de visualizações. Imagem: Reprodução. 

       Até a conclusão desse texto, a conta de Isa Reis no Facebook era seguida por mais de 380.000 pessoas. No Instagram, pouco mais de 300.000 pessoas costumam seguir Isa Reis . Casada com o bacharel em Direito e escritor Geldi Batista, Isa é mãe de três filhos. Isa é uma pregadora e missionária pela Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) e é presidente do Projeto Social e Missionário "Aviva Dorcas". Seus vídeos no Youtube somam milhões de visualizações e apenas um deles, adicionado no site há cinco meses atrás, já foi visto mais de dois milhões de vezes. A popularidade de Isa é tanta que a missionária já pregou até nos EUA. Tudo isso mostra que Isa Reis é uma referência para muitas pessoas.
      Isa reis e Camila Barros, que possuem contas em redes sociais, mostram que as mesmas são uma potente ferramenta na divulgação de seus trabalhos evangelísticos.

Conclusão

     Mesmo tão dura em sua organização, a Assembleia de Deus no Brasil possui brechas e alguns se utilizam destas para se sobressaírem. As mulheres pregadoras são um exemplo disso. Mesmo as que foram citadas aqui e muitas outras são excelentes na exposição dos textos sagrados. Entretanto, elas não têm o devido reconhecimento e posição ocupadas pelos homens. Além disso, os muitos líderes e organizações da Assembleia de Deus parecem praticamente ignorar a atuação das mulheres. 

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